A trabalhar arduamente para...
... este fim-de-semana, ser só tua!
... o bom dos globos de Ouro, de certeza que vai aparecer para o ano.Tenho um ódio de morte ao Instituto de Meteorologia de Portugal, ao AccuWeather e afins! Sinto-me traída, enganada, pior mesmo, desolada.
Decidi aproveitar o meu sábado da melhor maneira, com direito ao sol, esplanada, luar, tudo isto, juntinho ao mar. Tudo em bom nome do bom tempo que estava prestes a acabar. Cantarolava de alegria por ter reservado o Domingo (dia do senhor), dia da descida das temperaturas, dia em que se esperava tempestuoso e péssimo para qualquer actividade ao ar livre, para fazer e de preferência desfazer a pilha de trabalhos que tenho para a faculdade Foi com imensa satisfação que acordo e abro a persiana do meu quarto, esperava ver todo o terraço molhado, um dia cinzento e sentir o frio de quem acaba de se levantar.
Nada aconteceu.
Uma vez mais, tudo o que era previsão foi pelo ralo abaixo. Esteve um dia fantástico, a praia chamava por mim, o bronzeador e a toalha de praia colaram-se juntinho ao bikini e não arredaram pé da porta de casa, sempre com a esperança que fossemos juntinhos para de onde não deveríamos ter saído… da praia.
Lá fui eu, sem saco colorido, sem chapéu e revista na mão ao invés disso, levei a porcaria do portátil, o trabalho em pensamentos e a frustração de estar um dia maravilhoso. Enganei-me e calcei as havaianas, tudo em vão, porque foi para sentar o meu rabo, não na areia, mas sim, num bar qualquer sem vistas para o mar. Lá se foi o meu dia santo, lá se passou mais um fim-de-semana e eu, sem ainda ter a corzinha que devia e que me é de direito.
Saio do emprego, estranhamente ainda com sol. E sigo viagem, desta vez, adivinhem? Nem mais, até casa. Com o sol a dar o seu ar de graça, dou por mim, a fazer a viagem em volta com os meus pensamentos. Medo! Muito medo.
Desta vez, pensei, no porque dos humanos em geral (e eu muito em particular) tem medo de ratos *. Poderia dizer que temo a concorrência deles, ao ataque aos queijos, mas seria mentira. A verdade é que eles são roedores e não carnívoros. Portanto a parte de nos comerem, não conta como razão para o medo.
Eu confesso-me, tenho medo que venham em doses industriais e me ataquem. Ou mesmo sozinhos, que apareçam e me ataquem. O facto de pensar em contacto entre epidermes humanas e roedoras deixa-me de apêndices filiformes irisados. Também os temo, porque são feios, o mesmo acontece com os seres humanos igualmente feios, por isso, não vou virar samaritana para seres com quatro apêndices de locomoção. Tenho pavor a ratos, porque simplesmente são nojentos. Assim de repente não tenho muita coisa a apontar-lhes, mas é de mim, tal como desejo que todos os seres nojentos, sejam eles ratos, humanos e ou bichos no geral vivam bem, muito bem, alias, no mundo deles, de preferência num mundo tipo Mercúrio (que por sinal é bem quentinho e tem sol mais intenso que o nosso planeta) eu desejo viver no meu, Terra por sinal, também eu bem.
Todos estes meus pensamentos dissiparam-se quando e de repente deparo-me com um ser humano estendido na berma da estrada já equipado para seguir para a morgue mais próxima (um destino tão pouco nobre como os percursos dos roedores, que circundam a minha vida). Pois é, todo o sol que brilhava no meu parabrisas e fazia fervilhar ideias parvas dentro da minha massa cinzenta, pôs-se, como se da noite se tratasse.

Tudo com sabor a queijo é muito bom